LOGOSOFIA

LOGOSOFIA
Homem esculpindo-se a si mesmo, do artista uruguaio Yandí Luzardo, inspirada no princípio da evolução consciente proposto pela Logosofia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que não se aprende nas universidades Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)


Em geral, o ser humano ignora que, além da instrução que recebe – compreendendo até mesmo a mais esmerada educação e a ilustração que é possível obter na universidade em matéria de especialização técnica e científica –, existem uma cultura e uma ciência cujos conhecimentos, não sendo semelhantes aos ministrados nos centros oficiais de estudo, têm de ser adquiridos fora deles, pelo esforço pessoal e dedicação intimamente estimulados e postos a serviço de um ideal cuja concepção escapa às considerações e juízo correntes.
Para empreender tarefa de tão vastos alcances, nada se deve ignorar do que concerne à própria constituição psicológico-mental e, além disso, cumpre conhecer profundamente o mistério dos pensamentos; mistério que deixará de sê-lo tão logo a inteligência atue sobre eles, dominando-os e fazendo-os servir aos propósitos de uma cabal superação, isto é, logo que o Ser esteja capacitado para proceder a um reajustamento consciente e efetivo de sua vida.
Não será possível ao homem, por mais empenho e boa vontade que ponha nisso, criar dentro de si uma nova individualidade, com características que a façam superior à que possui, se não adquirir e utilizar para esse fim conhecimentos como os oferecidos pela Logosofia, que constituem toda uma especialidade.
Dizemos que constituem uma especialidade porque são de índole ou natureza diferente se comparados aos conhecimentos de uso corrente; de uma diferença substancial, pois compreendem um sistema ainda desconhecido para o mundo da ciência. Se estivessem em seu acervo, sem dúvida, já teriam sido empregados.
Tais conhecimentos promovem no espírito humano um novo género de vida, que proporciona enormes satisfações e permite colocar o entendimento muito acima da conduta comum e das apreciações generalizadas. É fundamental sua força estimulante e construtiva; estimulante, pelos benefícios imediatos que traz; construtiva, porque organiza a vida, a fim de cumprir ciclos de evolução muito superiores ao processo lento que a humanidade tem seguido até agora.
Um dos fatos salientes da preparação logosófica é aquele que garante que esta nova ciência, por si mesma, poupar o estudante a toda a sobrecarga mental que poderia resultar da constante consulta a fontes de outra origem, cujas águas, turvadas pela confusão de ideias opostas entre si, também poderiam contribuir, sem trazer vantagem alguma, para fomentar a dúvida e o ceticismo diante dos problemas do espírito e da natureza.

Trechos extraídos do livro Logosofia, Ciência e Método págs. 19 a 21

A arte de ensinar e a vontade de aprender (1.ª parte) Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

A vantagem de ensinar às crianças reside no fato de que a elas se pode corrigir e até repreender, segundo seja o caso, com absoluta despreocupação quanto às suas reações derivadas do amor-próprio, tão pronunciado no ser humano. As pessoas adultas têm, além disso, a mente quase sempre ocupada com mil assuntos distintos e, por outro lado, não frequentam as aulas no horário da manhã ou da tarde, como as crianças, mas à noite, sendo então de se prever que tenham acumulado todas as fadigas do dia, o que atenta, queira-se ou não, contra o melhor propósito ou disposição de escutar, estudar e aprender. Nessas horas, buscam-se entretenimentos alegres ou de outro gênero na esperança de descongestionar a mente com motivos que manifestamente distraiam o pensamento.
Daí que o adulto, o ser que já ultrapassou a época dos sonhos quiméricos, quando mostra ardente vontade de superação e em verdade quer desfrutar mais prontamente as prerrogativas que a ampliação do saber confere, se deva dispor, com todas as forças de sua alma, para levar em frente com digno entusiasmo e empenho a tarefa de cultivar suas faculdades. Convém, por conseguinte, se não existem sinais que a evidenciem, começar por criar a vocação para o estudo, para a ilustração e aperfeiçoamento. Essa vocação pode ser com certeza criada, se, auscultando o sentir, percebe que surgem aspirações de melhoramento paralelamente ao reconhecimento da própria mediocridade, a qual se há de querer transcender, distanciando-a cada dia mais das condições superiores cuja conquista se tenta.
Deve-se entender por vocação o pensamento que preside e anima o esforço em tenaz correspondência com a vontade,
que em nenhuma hipótese deve decair, uma vez definido e preparado o caminho a seguir. Ao mesmo tempo, deverá formar-se um juízo bem acabado sobre as preferências internas a respeito do saber, ou seja, se tão-somente se busca este saber para adquirir uma certa ilustração, se é cultivado nada mais que para saber, ou se é erigido como uma necessidade permanente do espírito e como finalidade primordial da existência. Em tal caso, o ato de estudar e aprender transforma-se fundamentalmente: reveste-se agora de todas as características da fecundidade, no natural exercício da função criadora do pensamento.
No primeiro caso, o ser humano somente busca melhorar suas perspectivas, fazendo mais cômodo o lugar que ocupa na vida de relacionamento. Sabe-se como a ignorância, que é ausência de conhecimentos e falta de cultura, limita e dificulta a maneira de viver e os meios de atuar, já que, não sabendo por esta causa como ser mais, o inapto haverá de se conformar com aquilo que licitamente e por justiça lhe é possível ter. Porém, melhoradas suas condições pela instrução e pelo esforço na sua aplicação, é lógico que experimente o prazer inefável de seu adiantamento espiritual e material. Entenda-se espiritual, como bem dissemos primeiramente, porque é coisa muito certa que toda claridade que se consiga fazer penetrar na mente sempre tende a repercutir no sentimento, e este, por reflexo, agita o espírito, atraindo, em consequência, a atenção própria para o que surge acima do material, enobrecendo a vida.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p.163

A arte de ensinar e a vontade de aprender (2.ª parte) Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Quando se cultiva o saber simplesmente por cultivar, mais propriamente para satisfazer uma vaidade enquanto se permanece totalmente alheio à realidade e à força viva do conhecimento, o ser pode conseguir uma vasta ilustração e até chegar a colocar-se entre os que se destacam nas letras, nas artes, na política, nas finanças e em todos aqueles ramos do saber comum em que se elogia e se enaltece a personalidade. Isto, porém, não evita que ele sinta muitas vezes uma nostalgia indefinida, um vazio interno que não se consegue preencher com nada, e que é resultado de tudo quanto foi construído sem objetivos perduráveis. Isto ocorre com aqueles que estão inteiramente absorvidos em compromissos sociais ou na atenção a seus interesses materiais, esquecendo que a vida tem outro conteúdo e que é precisamente nele que reside o porquê da existência.
Para conhecer esse conteúdo, é necessário entrar em si mesmo tanto quanto o permita a própria evolução. Foram muitos os que, em todos os tempos empreenderam esta tarefa, em sua maior parte levados pela crença de poderem desentranhar num curto prazo os mistérios que se ocultam nas profundezas da criação humana. A imensa maioria voltou dessa incursão, malogradas as esperanças e quebrantados os esforços, trazendo como saldo a decepção e o desconsolo. Tal é a consequência das investigações infrutíferas, pois se desconhece a forma de realizar tão magna empresa e não se leva em conta, sobretudo, que os principais fatores que contribuem para seu êxito devem ser encontrados nos umbrais da própria vida, ali onde nasce tudo que cada ser possui de verdadeiro e puro. Entretanto, isso não impediu que outros, em número igual ou superior, se dispusessem uma e outra vez a empreender idêntica incursão nas regiões do enigma, vamos chamá-la assim, já que outro não pode ser o nome de uma realidade existente além da realidade comum e que, constantemente, exerce uma atração quase irresistível sobre o temperamento sensível da natureza humana.
A voz sábia — que pronuncia a sublime linguagem da inteligência criadora — é a que ensina o caminho sem extraviar o pensamento
Quando o ser pretende ouvir essa voz com os ouvidos do egoísmo, da fatuidade ou da insensatez, corre o risco de se perder, pois a própria cegueira impede toda orientação.
E vejamos agora o caso em que os seres se dispõem a encarar a questão básica do conhecimento substancial ou essencial da existência humana.
Sabe-se que essa inquietude surge como um imperativo da consciência, como uma necessidade da alma, e, desde que se manifesta como tal, começa, tanto no homem como na mulher, o que poderíamos chamar de a odisseia do espírito. Livros e mais livros passam pela retina mental, absorvidos pelas ânsias de encontrar neles as chaves misteriosas com as quais seja possível decifrar o enigma. A busca continua em qualquer lugar onde se encontre um anúncio que, sugestivamente, convide a realizar por essa via a tentativa de alcançar tal meta. Não obstante, pouco ou nada é o que se obtém no sentido de encaminhar o pensamento pelo verdadeiro e único caminho que conduz à solução do grande problema.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2. p. 163

A arte de ensinar e a vontade de aprender (3.ª parte)

Quando os aspirantes ao conhecimento iniciador das elevadas verdades acudiam às fontes onde se ministrava o ensinamento criador, eram instruídos previamente acerca de como deveriam libertar a mente de todo preconceito e dispor-se, com humildade e limpeza de alma, a receber a luz que haveria de iluminar suas inteligências ávidas pelo saber superior. Isso prova, de modo definitivo e convincente, que nada deve merecer um conceito de seriedade e estima maior do que esta ciência do pensamento supremo que encarna a vida universal e que, por fim, aprofunda a vida humana até os seus rincões mais recônditos e obscuros.
Como é possível, então, pensar que conhecimentos de tal nível hierárquico haverão de ser obtidos como um dom do céu, sem que para isto se requeira aplicação nem esforço algum? Não se pode conceber seja tendência natural a de consentir que o próprio entendimento atribua ou conceda, melhor dizendo, tão pouca importância a este gênero de investigações. Geralmente se utiliza para elas o escasso tempo que resta depois de terminadas as atividades do dia e, ainda assim, costumam ser relegadas a segundo plano, para se dar preferência às habituais distrações. Há, inclusive, os que presumem que fazem um favor se, prestes a cultivar o conhecimento transcendente, colaboram com outros em tão fecundo labor, pois não pensam que, enquanto se aperfeiçoam e se beneficiam, contribuem para fazer mais efetiva a obra que se desenvolve para o bem de todos.
O exercício de tão elevada docência é uma arte em que estão resumidas as virtudes mais elevadas
Deve-se admitir, pois, que foi, é e seguirá sendo a tarefa mais difícil e delicada esta de ensinar, a cada inteligência, a forma de multiplicar sua força expansiva e penetrar, como dissemos, até os rincões mais recônditos e obscuros da vida humana. O exercício de tão elevada docência é, sem discussão alguma, uma arte em que estão resumidas as virtudes mais elevadas: a sabedoria, considerada como a maior de todas, por conter a essência das demais; a paciência, que auspicia os processos do ensinamento sem forçar nem alterar as funções do entendimento, propiciando, mais propriamente, que este se acentue de forma natural; a abnegação, que preside os sentimentos e tem um lugar de honra no coração dos grandes, que também fortalece o espírito e permite o culto do sacrifício a serviço do semelhante. Poderiam ainda ser enumeradas outras que, por sua natureza, servem à vontade posta a serviço de tão elevada docência; entretanto, haverão de bastar as enunciadas, para que se possa julgar o conceito que deve merecer quem, tirando horas do repouso depois de longas jornadas de intenso labor, dedica-as generosamente, sem exigir nada de ninguém, a ensinar com a palavra e com o exemplo a realização da mais justa e nobre das aspirações humanas.
A arte de ensinar encontra sua máxima expressão na alma daqueles cuja vontade de aprender faz possível que o bem que recebem e o saber com que se instruem sejam uma completa e efetiva realidade para seu aperfeiçoamento integral.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p. 163

quarta-feira, 27 de julho de 2011

11 de Agosto - Dia Internacional da Logosofia Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

A palavra Logosofia reúne os elementos gregos logos e sofia, que o autor adotou, dando-lhes a significação de verbo criador ou manifestação do saber supremo, e ciência original ou sabedoria, respectivamente, para designar uma nova linha de conhecimentos, uma doutrina, um método e uma técnica que lhe são eminentemente próprios.

A Logosofia é uma nova mensagem à humanidade, com palavras plenas de alento, de verdade e de clara orientação. Encerra uma nova forma de vida, forma que move o homem a pensar e a sentir de outra maneira, graças ao descobrimento logosófico de agentes causais, que, ignorados antes por ele, se manifestam agora à vista de seu entendimento, de sua reflexão e de seu juízo, da mesma forma que à sua sensibilidade.
Ciência e cultura ao mesmo tempo, a Logosofia transcende a esfera comum, configurando uma doutrina de ordem transcendente. Como doutrina, está destinada a nutrir o espírito das gerações presentes e futuras com uma nova força energética, essencialmente mental, necessária e imprescindível para o desenvolvimento das aptidões humanas. Conta com duas forças poderosas que, ao unir-se e irmanar-se, levam o homem a cumprir os dois fins de sua existência: evoluir para a perfeição e constituir-se em um verdadeiro servidor da humanidade. Uma dessas forças é o conhecimento que oferece à mente humana; a outra, o afeto que ensina a realizar nos corações.
A ciência logosófica abriu uma nova rota para o desenvolvimento humano. Seu trajeto implica uma direção definida e imodificável, em cujos trechos se cumpre, gradual e ininterruptamente, a realização simultânea dos conhecimentos que possibilitam seu extenso percurso. A dita realização abarca o conhecimento de si mesmo e dos semelhantes; o do mundo mental, metafísico ou transcendente; e o das leis universais, unindo-se a ela o avanço gradual e supremo do homem até as alturas metafísicas que custodiam o Grande Mistério da Criação e do Criador.


Logosofia: uma nova forma de sentir e conceber a vida
Ao traçar a rota e assinalar sua meta, a Logosofia se constitui em guia de todos os que empreendem seu percurso. Conta ela com o respaldo dos resultados obtidos e com o concurso de seus cultores, aqueles que já podem apresentar seu testemunho e seu saber e, por conseguinte, se acham em condições de assessorar a outros, não só nos trechos preparatórios de seu percurso, mas também naqueles que dão acesso à sabedoria logosófica, para que o círculo das possibilidades humanas se amplie até o infinito e possam, homem e mulher, encontrar em nossos ensinamentos a fonte geradora da vida superior. Com tal segurança, cada um poderá cumprir plenamente o grande objetivo de sua vida, isto é, a realização de seu processo de evolução consciente.
Resumindo, diremos que aprender Logosofia é conhecer uma nova técnica para encarar a vida com auspiciosos resultados.

Trechos extraídos do livro Curso de Iniciação Logosófica § 5, 6, 11 e 14

A arte de ensinar e a arte de aprender (II) Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Dissemos no começo que a arte de ensinar é muito dife­rente da arte de aprender. Com efeito, tratando-se do conheci­mento transcendente, que é o que guia para o aperfeiçoamen­to, não se pode ensinar o que se sabe, se, ao fazê-lo, não vai refletida, como uma garantia do saber, a segurança que cada um deve dar com seu próprio exemplo. Eis aí, justamente, on­de começa a tornar-se difícil a arte de ensinar, porque não se trata de transmitir um ensinamento, ou de mostrar que se sa­be isto ou aquilo; quem assim fizesse, se converteria em um simples repetidor do ensinamento, em um autômato, e seu la­bor careceria de toda eficácia. Já é outra coisa, quando atra­vés da palavra de quem ensina, coincidente com seus atos, vão se descobrindo qualidades relevantes; e outra coisa é, também, quando, no que escuta e aprende, vai se manifestando a capa­cidade de assimilação; então, o que aprende, aprende de ver­dade, e quem ensina, ensina com consciência.
Um ensinamento pode ser transmitido bem ou mal pelo que ensina, mas, o fato de transmiti-lo mal não tem porque implicar má intenção ou má vontade; comumente é transmiti­do de forma errônea, por não o haver entendido bem, vivido e incorporado a si mesmo. Quem faz isto não possui, certa­mente, o domínio do ensinamento, que permite não esquecê-lo mais; e está longe de ser como aquele que, de posse de uma fórmula, pode reproduzir a qualquer momento o conteúdo da mesma. Esquece o ensinamento quem não teve consciência de­le e, por tal causa, acha-se na mesma situação do que apren­de. Estas particularidades da arte de ensinar e da arte de apren­der devem ser tidas sempre muito em conta.
Quando se aprende deve-se sem­pre situar a si mesmo na posição mais generosa, qual seja a de aprender sem mesquinhez, a de aprender para saber dar, para saber ensinar...
Para cultivar estas artes, quando se aprende deve-se sem­pre situar a si mesmo na posição mais generosa, qual seja a de aprender sem mesquinhez, a de aprender para saber dar, para saber ensinar, e não com objetivos egoístas, fazendo-o para usufruto próprio, exclusivo, que é, em último termo, a negação do saber.
A Sabedoria logosófica prodigaliza-se, por isso, aos que mais tarde saberão ensinar, aqueles que terão em conta, ao fazê-lo, todos os detalhes que, correntemente, passam inad­vertidos e depois travam o entendimento dos seres.
Quem é generoso ao aprender, é generoso ao ensinar; mas nunca terá que se exceder nessa generosidade, pretendendo en­sinar antes de haver aprendido.
É mister conhecer a fundo a psicologia humana, para des­cobrir todos os subterfúgios que existem no complexo e miste­rioso mecanismo mental do homem.
Quando se inicia a heróica empresa do próprio aperfeiçoa­mento, é necessário acostumar-se a caminhar com firmeza, sem vacilações nem desacertos, buscando sempre a segurança no próprio conhecimento, e, quando aquela não existir, este deve ser cultivado, para que se consiga obter esses frutos que fa­zem, depois, a felicidade interna.

Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico págs. 260 e 261

A arte de ensinar e a arte de aprender (I) Por Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Entre a arte de ensinar e a arte de aprender existe uma grande diferença, não obstante acharem-se ambas intimamente vin­culadas. Em geral, quem começa a aprender o faz sem saber por quê; pensa que é por necessidade, por uma exigência de seu temperamento, por um desejo ou por muitas outras coi­sas, às quais costuma atribuir esse porquê. Mas quando já co­meça a vincular-se àquilo que aprende, vai despertando nele o interesse e, ao mesmo tempo, reanimam-se as fibras ador­mecidas da alma, que começa a buscar, chamando ao estudo, os estímulos que irão criar a capacidade de aprender.
Porém, que é o que o ser aprende, e para que aprende? Eis aqui duas indagações às quais nem sempre se podem dar res­postas satisfatórias. Aprende-se e continua-se aprendendo, ad­quirindo hoje um conhecimento e amanhã outro, de igual ou de diversa índole. Primeiro se aprende para satisfazer às ne­cessidades da vida, tratando de alcançar, por meio do saber, uma posição, e solucionar ao mesmo tempo muitas das situa­ções que a própria vida apresenta. Quando se completa a me­dida do estudo, parece como se na mente se produzisse uma desorientação: o universitário, ao conquistar seu título, aquele outro ao culminar sua especialização. Enfim, quando essa vi­da de estudos está terminada, começam as atividades nas dife­rentes profissões, o que paralisa a atividade anterior da mente dedicada ao estudo; muitos até chegam a esquecer aquela cons­tante preocupação que antes tinham, de alcançar cada dia um conhecimento a mais, encontrando-se como os que, tendo fi­nalizado o percurso de um caminho, não sentem a necessidade de dar um passo além, por não acharem o incentivo de um obje­tivo capaz de o propiciar. Eis aí uma das causas de onde pro­vém tanta desorientação nos seres humanos.
A arte de ensinar consiste em começar ensinando primeiro a si mesmo
De outra parte, os que, além dos estudos da profissão aprendem outras coisas, o fazem muitas vezes sem ter disso verdadeira consciência. Acumulam este, esse e aquele conheci­mento, mas depois – salvo exceções – não sabem o que fa­zer com eles; não sabem usá-los em seu próprio bem, nem no bem dos demais. Assim é como vêm aprendendo ao acaso, em uma e outra parte, sem ter um guia que os leve para uma meta segura e lhes permita fazer de tudo uma aprendizagem útil pa­ra si mesmos e para seus semelhantes.
Ao dar a conhecer seus ensinamentos, a Logosofia mani­festa que existe uma imensidão desconhecida para o homem, na qual este deve penetrar. Dá a conhecer, além disso, que enquanto se interna nessa imensidão que é a Sabedoria, isto é, enquan­to aprende, pode também ensinar, porque a arte de ensinar consiste em começar ensinando primeiro a si mesmo, ou, dito de outro modo, enquanto de uma parte o ser aprende, aplica de outra esse conhecimento a si mesmo e, ensinando a si mes­mo, sabe depois como ensinar aos demais com eficiência.
Trechos extraídos do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico p. 259 e 260

PEDAGOGIA LOGOSÓFICA

A Pedagogia Logosófica revela o mundo interno do ser humano e descreve com precisão como está constituído e como funciona em cada uma das etapas da vida: infância, adolescência, juventude e idade adulta. Conhecer a Pedagogia Logosófica é ter acesso a elementos valiosos sobre a inteligência, a sensibilidade, sobre o pensar e o sentir de cada fase da vida.
A base para o trabalho pedagógico são os conceitos originais apresentados pela Logosofia. Entre os conceitos que fundamentam essa nova linha pedagógica, destacam-se o conceito de vida, de liberdade, de defesas mentais, de pensamentos, de leis universais, de conhecimento de si mesmo, entre tantos outros, aliando-se à totalidade do saber adquirido o aporte precioso oferecido pela sensibilidade humana. A Pedagogia Logosófica baseia-se em duas forças: no conhecimento e no afeto, considerado este como a expressão mais elevada e consciente do amor, sendo aplicada nos Colégios Logosóficos, que integram o Sistema Logosófico de Educação, com Unidades Educacionais no Brasil, Argentina e Uruguai.

O MÉTODO

O método logosófico é uma fonte de diretrizes e conselhos que cumpre, com acerto, sua função em todos aqueles que o aplicam com boa disposição e espírito de estudo e superação.
O método logosófico divide-se em três etapas: estudo interpretativo dos conceitos, sua aplicação à vida e o aperfeiçoamento das aptidões adquiridas, proporcionando o enriquecimento da consciência individual. Guia o ser para uma nova e sólida conduta no que diz respeito a si mesmo. Não leva a investigar a psicologia dos demais: a matéria de estudo é a própria psicologia.
O método recomenda ainda o estudo e prática em conjunto, oportunidade na qual os estudantes podem confrontar suas interpretações e compreensões dos ensinamentos logosóficos.

CONCEITOS

Diante do caos espiritual que assola grande parte do mundo, produto da efervescência de ideias extremistas que ameaçam a independência mental do indivíduo e sua liberdade, que é seu direito imanente, faz-se necessário buscar soluções reais e permanentes, começando pela substituição de certos conceitos totalmente inadequados para a vida.
A Logosofia guia o entendimento humano, levando-o a encontrar soluções dentro de si mesmo para, depois, contribuir com seus semelhantes, igualmente munidos de tão inestimáveis elementos de juízo, no grande esforço para resolver os complexos e tortuosos problemas que afligem a humanidade.


EXEMPLO DE CONCEITO
Herança de Si Mesmo
Cada indivíduo haverá de encontrar, dentro de si, o caudal hereditário que foi formando através de suas próprias gerações. Haverá de descobri-lo, por exemplo, ao sentir uma acentuada vocação por determinada ciência, arte ou profissão. A facilidade que encontre ao encarar estudos e as ideias que auxiliem sua compreensão, enquanto se encaminha para o pleno domínio do conhecimento a que aspira, serão demonstrações claras de que nisso opera a herança de si mesmo.


Cada um é o que é, conforme o quis, e – salvo nos casos em que aparecem males irreparáveis – será aquilo que se proponha ser, mas pela única via possível: o conhecimento.


Os bens do conhecimento não podem ser herdados pela ignorância. Daí que seja necessário ativar o campo das próprias possibilidades, para que a herança se manifeste onde se lhe ofereça a oportunidade de fazê-lo.

OBJECTIVOS

A Logosofia tem a missão de levar o homem, mediante processos sucessivos de superação, a conquistar o domínio consciente de suas possibilidades humanas.

Seus Grandes Objetivos São:

  • ObjetivosA Evolução Consciente do Homem;
  • ObjetivosO conhecimento de si mesmo;
  • ObjetivosA integração do espírito;
  • ObjetivosO Conhecimento das leis universais;
  • ObjetivosO Conhecimento do mundo mental
  • ObjetivosA edificação de uma nova vida e de um destino melhor
  • ObjetivosO desenvolvimento e o domínio profundo das funções de estudar, de aprender, de ensinar, de pensar e de realizar.

O AUTOR

Carlos Bernardo González
Pecotche

Pensador e humanista, Carlos Bernardo González Pecotche nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 11 de agosto de 1901. Com apenas 29 anos, reagindo contra a rotina dos conhecimentos e sistemas usados para a educação e a formação do ser humano, deu nascimento à Logosofia, ciência de profundo significado humanístico.
Autor de uma vasta bibliografia, pronunciou também inúmeras conferências, muitas das quais ainda inéditas. Demonstra sua excepcional técnica pedagógica com o seu original método, que ensina a desvendar os grandes enigmas da vida humana e universal. O legado de sua obra abre o caminho para o cultivo de uma nova cultura e o advento de uma nova civilização que ele denominou “civilização do espírito”.
em uma de suas conferências, gonzalez pecotche assim expressou: estou no mundo como os demais homens da terra e, assim como a eles, foi-me dada a oportunidade de conhecer, penetrando em todos os ambientes, tudo quanto possa interessar a meu propósito, a meu propósito de bem, que é a grande obra de superação humana que venho realizando.

O QUE É A LOGOSOFIA?

A ciência

Logosofia é uma ciência nova, que revela conhecimentos de natureza transcendente e concede ao espírito humano a prerrogativa de reinar na vida do ser que anima. Conduz o homem ao conhecimento de si mesmo, de Deus, do Universo e de suas leis eternas.
Apresenta uma concepção original do homem, em sua organização psíquica e mental, e da vida humana em suas mais amplas possibilidades e proporções.